Por Cacá Araújo: DRAMATURGIA NORDESTINA E ENGAJAMENTO ARTÍSTICO



“A Donzela e o Cangaceiro” é uma comédia teatral escrita em versos populares, característicos dos cantadores nordestinos, herdados de eras medievais, com os seguintes objetivos estratégicos:

a. difundir valores da cultura nordestina-universal através de estética dramática sertaneja alinhada ao imaginário popular e ao resgate de tradições ancestrais, que remontam aos processos iniciais de formação do povo brasileiro, a partir de matrizes de origem ameríndia, africana e europeia;

b. oportunizar a formação de plateias, especialmente juvenis, inspirando senso crítico e autoestima em termos de identidade cultural e desenvolvimento humano, potencializando-as para o convívio e interação com outras culturas e linguagens artísticas;

c. estimular a congregação de estudiosos, pesquisadores, produtores, atores, encenadores, mestres da cultura tradicional popular, brincantes, autores e técnicos em torno da discussão de proposta estética de leitura e releitura da história, das tradições e do imaginário do sertão nordestino como fonte inspiradora de criação em artes cênicas, literatura, música, dança e noutros processos de manifestação da alma indômita do artista nordestino;

d. contribuir na discussão referente à ecologia e aos processos de preservação da natureza, fortalecendo a luta em defesa da qualidade de vida a partir de desenvolvimento sustentável não predador nem agressor nem destruidor da fauna, da flora, de homens, de mulheres.

O estímulo ao desenvolvimento da dramaturgia nordestina é um importante caminho de afirmação e respeito à inventividade literária e à diversidade cultural brasileira. Ao abordar a ecologia e o meio ambiente a partir de motivo factual doméstico, como é o caso do Sítio Fundão, importante reserva ecológica na zona urbana na cidade do Crato-CE ameaçada de extinção, amplia-se o foco ao propor uma leitura da gana imperialista capitaneada pelos USurpAdores das riquezas de todos os povos. “A Donzela e o Cangaceiro” envereda também pelo universo histórico e mítico do homem nordestino e universal, revisitando o cangaço e o mito da Caipora numa história fantástica, mas embrenhada na realidade.

“A Donzela e o Cangaceiro” dá prosseguimento à determinação do autor em buscar a afirmação de uma dramaturgia nordestina alinhada ao resgate e à difusão da cultura tradicional popular, fundada na expressão do imaginário do povo, nas lendas, nos mitos, nos causos, nas aventuras, nos romances, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança, nos ataques à soberania e nas lutas libertárias.

Utilizando motivos e abordagens locais, a peça desenvolve uma história de ficção ancorada em importantes e reais bandeiras de luta ecológica e na universal mitologia sertaneja. Fortalecerá, portanto, a ação de visitar e revisitar a cultura tradicional popular, o que, indubitavelmente, repercutirá positivamente no ritual permanente de consolidação da cultura nordestina e brasileira entre seu próprio povo e no mundo.


Cacá Araújo
Dramaturgo

Por Cacá Araújo: DRAMATURGIA NORDESTINA E ENGAJAMENTO ARTÍSTICO Por Cacá Araújo: DRAMATURGIA NORDESTINA E ENGAJAMENTO ARTÍSTICO Reviewed by Moisés Rolim on dezembro 20, 2018 Rating: 5

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