quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Por Alexandre Lucas: Marcas, eleições e identidade


Não é por acaso que os produtos e serviços  se caracterizam por uma marca.  A marca não é apenas um conjunto e uma combinação de cores, logotipos, nomes, fontes e  lemas;  é algo que cria narrativa, identidade; é conceito. É, portanto, uma espécie de texto sintetizado,   visual e descritivo de algo. Esse algo que pode ser um produto, um serviço, uma organização e até as pessoas.  

A imagem/marca   é inseparável do conceito. Logo, as marcas são criadas   para ocupar os espaços, gerar confiança, se diferenciar das outras  e criar estéticas.  Imaginemos os refrigerantes vendidos sem  embalagens e rótulos. Quantas  vezes diariamente temos que fazer escolhas na hora de comprar? Possivelmente, diversas vezes  escolhemos pelo preço, qualidade, quantidade,  durabilidade e rendimento do produto ou serviço, mas um dos fatores preponderantes para a nossa escolha será apontado pela marca, pois ela nos dá  essa dimensão de diferenciação por vir agregada a uma narrativa que vamos construindo.

Entretanto, as marcas, não se resumem ao mercado. As nossas formas de organização, de ocupação dos espaços políticos, as nossas bandeiras, os nossos discursos não são  desprovidos das embalagens e dos rótulos que queremos constituir, ou ainda, que constituímos sem ter a devida noção da marca que estamos criando.  

Quando descuidamos da forma e do conteúdo na batalha política, corremos sério risco em se diluir, se fragmentar e de se afirmar. A nossa comunicação tem que ser ampla e irrestrita, mesmo não detendo,   ainda,  os meios de comunicação de massa. As nossas marcas são  importantes veículos  de conversação que devem se  entranhar nas nossas lutas e campanhas. Os nossos materiais têm que ter identidade. Têm que carregar  às nossas marcas.

Identidade e amplitude, talvez sejam as palavras chaves para compor a marca do campo popular, progressista, democrático, socialista e  comunista . As nossas marcas devem delinear de que lado das luta de  classes estamos alinhados.  Não somos uma carta sem remetente e destinatário. 

É tempo de reafirmação das nossas ideias e de compreensão da realidade concreta para que as nossas cores, símbolos e siglas sejam permeadas de  sentido e  esperança.  Não faz sentido narrar o Leste Europeu e querer transpô-lo para o presente e, muito menos, negar nossas marcas e maquiá-las  com outras roupagens.

Nestas eleições, se avança um discurso que tem a marca do ódio, da violência e da moral, que congrega os setores mais conservadores e reacionários; os discursos desmascarados das elites econômicas ganham volume. Não nos enganemos que uma porção desta elite se refresca numa casta  para revezamento e manutenção de poder revestido de um discurso sofisticado de liberdade econômica e de suposta democracia.  

Nestas eleições, as nossas marcas  devem ficar mais vermelhas, os nossos discursos mais didáticos e alinhados à classe trabalhadora. Na batalha eleitoral, não devemos nos confundir com o discurso, que na política,  somos todos iguais.

*Pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas

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