Momento VIVA BEM com Tibério Oliveira




Ovo: afinal, vilão ou mocinho?

Poucos alimentos são tão polêmicos como o ovo, e diante disto, vem sendo amplamente discutido nos grupos acadêmicos que se dedicam a estudar sobre sua importância, entre os profissionais de saúde das mais diversas especialidades, principalmente a nutrição e a medicina, além de fóruns de discussão populares, como redes sociais e programas radiotelevisivos.
Ao longo dos anos as opiniões sobre o seu impacto na saúde mudaram drasticamente, principalmente no que diz respeito ao colesterol naturalmente contido no alimento. Estudos científicos das décadas de 80 e 90 relacionam que a ingestão do colesterol ao se comer o ovo pode exercer impacto negativo sobre o perfil lipídico corporal, aumentando o colesterol sérico e o LDL-colesterol, este conhecido como mau colesterol, e, assim, influenciando diretamente sobre a incidência de doenças cardiovasculares.
Porém as novas evidências vêm para derrubar tais afirmações. Um estudo de grande escala conduzido por McNamara em 2000 foi decisivo para mudar a opinião sobre o ovo. Ele observou que a ingestão de 100mg de colesterol dietético elevada somente em 2,2mg/dL o colesterol plasmático, então a ingestão de um ovo, que tem entre 100-150mg de colesterol, não seria tão impactante sobre a saúde. O estudo de Dimarco et al (2017) evidenciou que a ingestão de ovo pode exercer atividade protetora contra a aterogênese por este alimento conter antioxidantes como a Zeaxantina e a Luteína, contidos na gema.Esse benefício foi evidenciado ao se consumir menos de 3 ovos ao dia. Outro estudo conduzido por Knopp et al (1997), com 130 pacientes hipercolesterolêmicos e hiperlipidêmicos, com dietas de ingestão controladas, observou o impacto na ingestão do ovo. Esse estudo consistia em dois grupos, em que o primeiro ingeria dois ovos por dia e o segundo nenhum. Ao final, analisaram o perfil lipídico dos pacientes antes e depois de 12 semanas. Os pacientes com hipercolesterolemia que ingeriram 2 ovos/dia tiveram melhora nos níveis de HDL-colesterol, sem alteração nos níveis de LDL e colesterol total, ao passo que pacientes com hiperlipidemia que ingeriram a mesma quantidade tiveram aumentos pequenos de LDL, colesterol total e HDL. A conclusão deste estudo é que o ovo pode exercer impacto positivo, ou ao menos não exercer impacto negativo, mesmo para portadores de dislipidemias.
Além destas características, o ovo é um alimento nutricionalmente riquíssimo e ao mesmo tempo acessível a todas as camadas da população. Contêm as quatro vitaminas lipossolúveis A, D, Ee K, vitaminas do complexo B, entre elas o ácido fólico e a colina, responsáveis pelo bom desenvolvimento e funcionamento das células neurais desde o feto. Em relação aos minerais, contém cálcio, importante para os ossos e coração, zinco que melhora a saúde de pele, unhas e cabelo, selênio que otimiza a resposta imunológica, potássio, importante na contração muscular e controle da pressão arterial, e de ferro “heme”, o ferro de absorção e metabolização mais eficiente no organismo, sendo importante na saúde sanguínea. É ainda fonte de proteínas completas, com todos os aminoácidos essenciais, sendo uma excelente fonte desse macro nutriente.
Diante de tantas características positivas, somando-se ao fato de ser um alimento de baixo custo e ainda possuir uma grande versatilidade culinária, presente em incontáveis receitas em diversos hábitos alimentares ao redor do mundo,consumir ovos de forma consciente é barato e saudável, portanto é aconselhável que se usufrua deste alimento na alimentação familiar cotidiana.



Momento VIVA BEM com Tibério Oliveira Momento VIVA BEM com Tibério Oliveira Reviewed by Folha Cratense on agosto 27, 2018 Rating: 5

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