segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Momento VIVA BEM com Tibério Oliveira




Ovo: afinal, vilão ou mocinho?

Poucos alimentos são tão polêmicos como o ovo, e diante disto, vem sendo amplamente discutido nos grupos acadêmicos que se dedicam a estudar sobre sua importância, entre os profissionais de saúde das mais diversas especialidades, principalmente a nutrição e a medicina, além de fóruns de discussão populares, como redes sociais e programas radiotelevisivos.
Ao longo dos anos as opiniões sobre o seu impacto na saúde mudaram drasticamente, principalmente no que diz respeito ao colesterol naturalmente contido no alimento. Estudos científicos das décadas de 80 e 90 relacionam que a ingestão do colesterol ao se comer o ovo pode exercer impacto negativo sobre o perfil lipídico corporal, aumentando o colesterol sérico e o LDL-colesterol, este conhecido como mau colesterol, e, assim, influenciando diretamente sobre a incidência de doenças cardiovasculares.
Porém as novas evidências vêm para derrubar tais afirmações. Um estudo de grande escala conduzido por McNamara em 2000 foi decisivo para mudar a opinião sobre o ovo. Ele observou que a ingestão de 100mg de colesterol dietético elevada somente em 2,2mg/dL o colesterol plasmático, então a ingestão de um ovo, que tem entre 100-150mg de colesterol, não seria tão impactante sobre a saúde. O estudo de Dimarco et al (2017) evidenciou que a ingestão de ovo pode exercer atividade protetora contra a aterogênese por este alimento conter antioxidantes como a Zeaxantina e a Luteína, contidos na gema.Esse benefício foi evidenciado ao se consumir menos de 3 ovos ao dia. Outro estudo conduzido por Knopp et al (1997), com 130 pacientes hipercolesterolêmicos e hiperlipidêmicos, com dietas de ingestão controladas, observou o impacto na ingestão do ovo. Esse estudo consistia em dois grupos, em que o primeiro ingeria dois ovos por dia e o segundo nenhum. Ao final, analisaram o perfil lipídico dos pacientes antes e depois de 12 semanas. Os pacientes com hipercolesterolemia que ingeriram 2 ovos/dia tiveram melhora nos níveis de HDL-colesterol, sem alteração nos níveis de LDL e colesterol total, ao passo que pacientes com hiperlipidemia que ingeriram a mesma quantidade tiveram aumentos pequenos de LDL, colesterol total e HDL. A conclusão deste estudo é que o ovo pode exercer impacto positivo, ou ao menos não exercer impacto negativo, mesmo para portadores de dislipidemias.
Além destas características, o ovo é um alimento nutricionalmente riquíssimo e ao mesmo tempo acessível a todas as camadas da população. Contêm as quatro vitaminas lipossolúveis A, D, Ee K, vitaminas do complexo B, entre elas o ácido fólico e a colina, responsáveis pelo bom desenvolvimento e funcionamento das células neurais desde o feto. Em relação aos minerais, contém cálcio, importante para os ossos e coração, zinco que melhora a saúde de pele, unhas e cabelo, selênio que otimiza a resposta imunológica, potássio, importante na contração muscular e controle da pressão arterial, e de ferro “heme”, o ferro de absorção e metabolização mais eficiente no organismo, sendo importante na saúde sanguínea. É ainda fonte de proteínas completas, com todos os aminoácidos essenciais, sendo uma excelente fonte desse macro nutriente.
Diante de tantas características positivas, somando-se ao fato de ser um alimento de baixo custo e ainda possuir uma grande versatilidade culinária, presente em incontáveis receitas em diversos hábitos alimentares ao redor do mundo,consumir ovos de forma consciente é barato e saudável, portanto é aconselhável que se usufrua deste alimento na alimentação familiar cotidiana.



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