quarta-feira, 13 de junho de 2018

Por Alexandre Lucas: É preciso encantar as crianças para revolução


Atuar com as crianças exige compreensão do seu universo e um trabalho exaustivo de escuta, acompanhamento e constante encantamento.  É a partir da interação e mediação com o outro e as coisas que o desenvolvimento intelectual, emocional, motor e social da criança são possibilitados.

No Coletivo Camaradas, o trabalho de construção da formação política com as crianças devem ser pautadas por dois elementos essenciais. O primeiro está relacionado à necessidade de mediar processos de democratização do conhecimento, a partir de deslocamentos de espaços, vivências, intercâmbios, estudos e experimentos, considerando aspectos da psicologia histórico-cultural e da pedagogia histórico-crítica, arcabouços teóricos que devem orientar a nossa perspectiva de compreensão política visando à ampliação da visão social de mundo das camadas populares. O segundo é que esse trabalho demanda uma disposição para conquistar, envolver e possibilitar a permanência do encantamento, o que sinaliza para adentrar no universo afetivo, lúdico e social da criança.    

É preciso ter direção pedagógica e política para construir a nossa relação com as crianças e atingir os nossos intentos políticos que visam constituir uma organização de lutadoras e lutadores pela transformação social munidos da compreensão da realidade concreta e de uma teoria revolucionária, no caso especifico do Coletivo Camaradas, o materialismo histórico e dialético, o marxismo.  

Na pedagogia histórico-critica, aprendemos que primeiro se define os conteúdos para depois definir as formas de apropriação deles, tendo como base a práticasocial, como conhecimento inicial confrontada com um saber desconhecido o que gera, por conseguinte, novos saberes. Essa compreensão é básica para nortear a nossa prática pedagógica com as crianças, entretanto as formas de apropriação dos conteúdos não podem ser negligenciadas, porque isso coloca em risco os próprios conteúdos.

O trabalho organizativo com as crianças deve se pautar no sentido de criar as condições para que elas construam a sua autonomia e a sua relação de entendimento enquanto construtoras do Coletivo Camaradas. O protagonismo infantil é imprescindível para se contrapor e se distanciar de uma compreensão assistencialista e elevar a autoestima das crianças das camadas populares, que constantemente se veem como incapazes.
    
A ação política não é um ato espontaneísta, portanto esperar que espontaneamente crianças nos procurem e façam revolução é um equívoco político e pedagógico. 

  
*Pedagogo e integrante do Coletivo Camaradas

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