terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Brasil: 55% dos eleitores tucanos se opõem à privataria, mostra Datafolha


Sete em cada dez brasileiros se opõem à privatização de estatais, aponta levantamento do Datafolha.
A maioria (67%) da população também vê mais prejuízos que benefícios na venda de companhias brasileiras para grupos estrangeiros.
A oposição a privatizações predomina em praticamente todos os recortes analisados — por região, sexo, escolaridade, preferência partidária e aprovação à gestão Temer.
O único cenário em que a ideia é aceita pela maioria é entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos por mês, dos quais 55% se disseram favoráveis.
A aceitação cai conforme diminui a renda familiar mensal. Entre os que ganham até dois salários mínimos, 13% são a favor.
Os moradores do Norte e do Nordeste são os mais resistentes — com taxas de 78% e 76% de reprovação, respectivamente —, enquanto os do Sudeste são os que melhor aceitam a ideia: são 67% contrários e 25% a favor.
As privatizações sofrem resistência até de eleitores de partidos e políticos em geral favoráveis à venda de estatais.
Entre quem aponta como partido de preferência o PSDB — que historicamente apoiou e promoveu desestatizações —, 55% se disseram contrários, e 37%, a favor.
Foram ouvidas 2.765 pessoas com margem de erro de dois pontos percentuais.
O placar é mais apertado entre os que avaliam como bom ou ótimo o governo de Michel Temer — que tem promovido uma série de projetos de privatização —, mas a maioria (51%) também se opõe.
Essa resistência é o principal entrave para as desestatizações que o governo pretende concluir até o fim de 2018, segundo analistas — a Eletrobras é a maior delas.
A privatização da Petrobras — tema já levantado por ministros e pré-candidatos à Presidência — também é fortemente rechaçada pela maior parte da população: 70% se disseram contrários, e 21%, a favor.
Os demais não souberam responder ou se disseram indiferentes.
Pesquisa feita pelo Datafolha em 2015 questionou: “Você é a favor ou contra a privatização da Petrobras?”. À época, 24% declararam ser favoráveis e 61%, contrários.
Uma possível participação de capital estrangeiro na Petrobras tem oposição ainda maior: 78% se disseram contra, e 15%, a favor.

ELEIÇÕES

O tema deverá ganhar destaque nas eleições de 2018.
A continuidade de programas de desinvestimento criados pelo atual governo é critério central para o apoio de investidores interessados em negócios de longo prazo no país.
Mas a resistência de eleitores é clara, e não se restringe a candidatos de esquerda.
Nenhum grupo que hoje votaria nos potenciais candidatos é majoritariamente favorável à privatizações em geral nem à venda da Petrobras.
Os menos resistentes são aqueles que declararam voto em Geraldo Alckmin (PSDB) e Jair Bolsonaro (PSC).
Em dois cenários — um com a participação de Lula (PT) na disputa e outro sem —, o apoio a privatizações varia de 31% a 36% entre os potenciais eleitores dos dois nomes.
Os que declararam voto no petista são os que mais rechaçam as privatizações. A rejeição foi de 80% para a venda de estatais em geral e de 76% para a venda da Petrobras.


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